Dúvidas Frequentes

Dúvidas Frequentes

O cultivo do milho é complexo e envolve muitas decisões técnicas. As principais dúvidas dos produtores geralmente se concentram em otimizar a produtividade, manejar riscos e reduzir custos.

O milho é um alimento da família das gramíneas (família Poaceae). São plantas que têm por característica apresentar flores muito pequenas e frutos secos chamados grãos e pode atingir, dependendo da raça de milho, de 50 cm a 5 metros de altura. Um nome popular para as gramíneas é o cereal. O milho é um tipo de cereal, assim como o arroz

As pesquisas atuais com análise de cromossomos concluiu que o ancestral do milho  chama-se teosinto. É uma planta que só tem uma fileira de grãos. E a hipótese mais aceita pela comunidade acadêmica é a de que os povos que viviam na região do México se interessaram pelo teosinto e começaram a consumi-lo na forma de pipoca pela facilidade que o grão do teosinto estoura, assim como o nosso conhecido milho de pipoca.

E foi fazendo a seleção das sementes após os plantios, com o passar do tempo, esse ancestral foi ficando com o jeito de milho.

Os cientistas descobriram após escavarem uma área rochosa conhecida como Xihuatoxtla, localizada no vale do Rio Balsas de Guerrero, México, que o teosinto começou a ser cultivado e domesticado por volta de 9.000 anos atrás. 

O mesmo estudo citado acima aponta que o plantio do milho teria se alastrado para o Panamá, na América Central, há cerca de 7,6 mil anos e chegado ao norte da América do Sul há cerca de 6 mil anos. 

Os europeus encontraram o milho cultivado em todas as Américas e, logo depois das primeiras viagens, espanhóis e portugueses difundiram a planta na Europa, na África e na Ásia. 

Já com protagonismo nas refeições dos povos ameríndios, o milho assumiu uma posição dominante na alimentação de muitas populações mundo afora.

Milho não é tudo igual. Citamos os nomes populares de algumas espécies catalogadas no Brasil pois, segundo a equipe de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), foram identificadas 343 variedades crioulas diferentes de milho no Brasil e no Uruguai, as quais representam 32 raças.

Confira os nomes populares de algumas variedades de milho encontradas no Brasil:

Milho Massa (nome original: Entrelaçado)

Com incidência nos estados do Acre e Rondônia, essa espécie gera as preparações de chicha, bolo, pão, broa, mingau, pamonha, cuscuz canjica e pode ser consumido também in natura.

Milho Catingueiro (nome original: Complexo Cateto)

Presente nos estados do Mato Grosso do Sul e Minas Gerais é utilizado para o preparo de pamonha, curau, canjica e consumido in natura.

Milho Bico de Ouro (nome original: Dente Rio Grandense)

Localizado no estado do Rio Grande do Sul, é utilizado para farinha, polenta, angu, pamonha, bolos, pães, broas e para comer in natura.

Milho Saboró (nome original: Avati Moroti)

Presente principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul essa espécie tem uso culinário para: fubá, bolo, pão, broa chipá, polenta e angu

Milho Cunha Vermelho (nome original: Cravo)

Essa espécie é localizada na Mata Atlântica Pampa, no Rio Grande do Sul e pode ser usada para fazer bolo, pão, broa, farinha e comer a espiga in natura.

Milho Pintadinho ou Sol da manhã (nome original: Complexo Cateto)

Tem registro de cultivo nos estados do Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Com essa variedade é possível fazer pamonha, curau, canjica e comê-lo in natura.

 

E para o povo Guarani Mbya o milho é um dos vários alimentos sagrados. A etnia se considera guardiã do milho e busca sempre defender as condições territoriais para plantar o milho. 

Os povos Guarani tem muitas histórias sobre o surgimento do milho, conforme narra o professor Guarani Mbya, Geraldo Karaí Okenda:

“Um jovem guarani apareceu para três crianças que estavam sozinhas enquanto os pais foram à mata buscar pedra mole para comerem. Ele carregava um alimento amarelo e disse que poderia ser assado, torrado, socado no pilão. Quando os pais retornaram, os filhos já estavam alimentados. A filha mais velha pediu para o pai roçar o taquaral, depois queimar e pisotear a terra. O pai assim o fez e o Deus Tupã imediatamente mandou relâmpagos e trovões. Após a chuva, o pai foi até a roça e encontrou plantado todos os alimentos que existem até hoje. Assim surgiu o milho para o povo Guarani”. 

Não, são espécies diferentes e vamos detalhar porque um milho estoura e o outro não.

  • Em termos simples: 
  • O milho de pipoca é bem menor do que o grão do milho comum, Tem o formato mais achatado e o outro é arredondado 
  • Contém mais água em seu interior
  • A casca do milho comum é muito resistente, ela não expande 
  • O milho que estoura contém muito amido duro no seu interior e esse componente tem a propriedade de estourar e produzir a flor da pipoca que consumimos

O  milho é atualmente o cereal mais produzido no mundo, entretanto, esse volume de produção e a forma de cultivo dele estão longe das suas origens. 

Ao invés de realizar a seleção natural das melhores sementes, grandes empresas do agronegócio realizam em laboratório a transferência artificial de genes de plantas, animais, vírus ou bactérias – que possuem determinadas características desejadas de uma espécie para outra.

Cerca de 90% do milho comercializado é transgênico. E o cultivo transgênico representa altos riscos para o meio ambiente e para a saúde humana.

Indústrias que comercializam alimentos transgênicos contribuem pouco com o abastecimento interno e menos ainda com a tributação.

É a concentração de renda na mão de poucos.

O cultivo de monoculturas como a do milho que servem de base para produtos ultraprocessados e cheios de veneno é uma continuação da colonização da nossa terra e do nosso paladar.

Por isso, recomendamos a valorização do milho agroecológico, crioulo, que é uma semente sem modificação genética. Um alimento ancestral passado de geração em geração. 

Dê preferência a consumir fubá, amido de milho, arroz, feijão e outros cultivos da agricultura familiar. Procure nas feiras, compras coletivas da sua região ou pesquise a disponibilidade no Mapa de Feiras Orgânicas.